Minha história: Me chamo Gláucia tenho 33 anos e estou casada há 5 anos com o grande amor da minha vida que se chama Sérgio e tem 40 anos. Antes de nos casarmos já sabíamos que não seria tão fácil formar uma família, mais o nosso amor era muito maior do que qualquer dificuldade e resolvemos enfrentar esta batalha juntos. A nossa guerra é contra a infertilidade, pois o meu esposo é azoospermico (ausência total de espermatozóide no ejaculado), hoje o nosso maior sonho é ter filhos, construir uma família, creio que a realização deste sonho esta muito próxima.


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Saiba o que muda no corpo durante a gravidez

da Revista da Folha

A grande transformação hormonal na gravidez chama-se placenta. Esse órgão, criado somente durante a gestação, é uma verdadeira usina de produção de hormônios que podem aumentar em até dez vezes. São os hormônios os responsáveis por todas as modificações no corpo da gestante para que o bebê se desenvolva bem, mas também os vilões que provocam um verdadeiro rebuliço físico e emocional.

A ação dos hormônios pode desencadear, em alguns casos, medo e ansiedade, só para citar alguns, mas os médicos acreditam que apesar das mudanças -que são temporárias-, depende muito da mulher fazer com que os nove meses de gestação não sejam marcados por traumas. "O fator emocional é fundamental.

O dia-a-dia na clínica mostra que quando a gravidez é planejada e bemvinda, a mulher sente prazer nessa fase, não sofre com as mudanças", diz Mauro Abi Haidar, chefe do Setor de Ginecologia- endócrina e Climatério da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo.

A receita é simples e o resultado animador. Quem cuida do alimentação, da pele, faz atividades físicas e curte a gravidez tem mais chance de aproveitar essa fase. Os especialistas dizem que algumas mulheres se sentem ainda mais femininas e sensuais.

O que muda no corpo nos nove meses

Pele
É comum o aparecimento de acne. Use protetor solar para prevenir cloasma gravídico, que piora com a exposição solar. São manchas café-com-leite que surgem no rosto de cerca de 5% das grávidas

Boca
As gengivas incham e sangram com mais facilidade. Há casos de excesso de salivação. A perda de cálcio se intensifica (é importante tomar mais leite e derivados, além de suplementos vitamínicos)

Orgãos genitais
Ficam inchados e pigmentados. Há alteração da acidez vaginal, maior lubrificação e tendência a adquirir infecções

Cabelos e pêlos
Podem crescer mais pêlos no corpo. Os cabelos ficam mais sedosos e brilhantes

Olhos
Alteração na lubrificação do globo ocular, que fica mais seco e prejudica o uso de lentes de contato

Nariz
As rinites alérgicas pioram. Os vasos sanguíneos ficam mais dilatados e podem provocar obstrução e sangramento

Seios
Crescem muito nos três primeiros meses e podem ficar doloridos. As veias superficiais ficam mais evidentes, o mamilo parece maior e mais saliente, a auréola maior e com mais glândulas sebáceas (para melhorar a lubrificação local). A partir do quinto mês pode-se observar a saída de algumas gotas de colostro (primeiro leite) pelos mamilos

Aparelho locomotor
as articulações ficam mais inchadas e os ligamentos mais frouxos, o que facilita entorses e luxações o peso do útero faz com que a mulher tenda a jogar o corpo para trás e afastar os pés, principal razão de dor nas costas cãibra nas panturrilhas com frequência dores no baixo-ventre, na virilha e região sacra, causada pelo afastamento dos ossos da bacia

Aparelho digestivo
digestão mais lenta, azia, prisão de ventre

Aparelho circulatório
mais calor e maior propensão a desmaios e taquicardias por causa do aumento do volume sanguíneo (1,5 litro) e da força propulsora do coração, maior consumo de oxigênio, dilatação das veias e queda da pressão arterial varizes e inchaço nos membros inferiores, nos órgãos genitais e aparecimento de hemorróidas

Aparelho urinário
o útero comprime a bexiga e aumenta a frequência urinária. Mais suscetível a infecções


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Medicina
O combate no útero

Médicos brasileiros descobrem um
novo tratamento para a endometriose,
a principal causa da infertilidade feminina


Giuliana Bergamo


Apesar de descrita há mais de dois séculos, a endometriose é uma doença feminina típica dos hábitos de vida modernos. Nos últimos cinqüenta anos, a mulher passou a menstruar mais cedo e a entrar na menopausa mais tarde. Além disso, como a carreira profissional se tornou prioridade, ela adia a maternidade, tem menos filhos e, quando os tem, muitas vezes não os amamenta. Por causa de todos esses fatores, as mulheres de hoje menstruam mais. Para se ter uma idéia, no tempo de nossas avós, elas passavam por cinqüenta menstruações ao longo da vida. Hoje, esse número saltou para 400. Do ponto de vista orgânico, o resultado é uma exposição mais longa à ação do hormônio estrógeno, o grande detonador da endometriose. Principal causa de infertilidade feminina, a doença atinge 5 milhões de brasileiras. Até agora, a única arma contra o mal, além da cirurgia, era o bombardeio químico contra a ação do estrógeno, o que acarreta graves efeitos colaterais. Um estudo de médicos brasileiros, publicado recentemente na revista Human Reproduction, da Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia, traz boas notícias no campo do controle da endometriose. Eles comprovaram que o uso do dispositivo intra-uterino (DIU) de progesterona é tão eficaz no controle da doença quanto os métodos tradicionais – sem, no entanto, causar fortes reações adversas.

A endometriose ainda é um enigma para a medicina. Não se desvendou, por exemplo, por que algumas mulheres são acometidas pelo problema e outras não. O mal se caracteriza pela migração de fragmentos de endométrio, o tecido que reveste a parede interna do útero, para outros órgãos, como as trompas, os ovários, o intestino, a bexiga e o fígado. Estimulado mensalmente pelo estrógeno produzido nos ovários, o endométrio ganha uma camada mais grossa com o objetivo de preparar o útero para abrigar um embrião. Normalmente, quando não ocorre a fecundação, essa camada extra se desfaz e é eliminada pela menstruação. Nas mulheres com endometriose, mesmo fora do útero, os fragmentos de endométrio continuam respondendo aos estímulos hormonais durante o período menstrual. Num esforço para eliminar esses focos de tecido, o sistema imunológico causa processos inflamatórios. O resultado são nódulos, dores fortes, sangramento e até a destruição de algumas porções dos órgãos afetados, o que não raro leva à infertilidade. Isso porque as trompas podem se ligar aos ovários ou ao intestino, por exemplo, impedindo tanto a liberação quanto a passagem dos óvulos.

O tratamento medicamentoso da endometriose consiste em neutralizar a ação do hormônio estrógeno (veja quadro). A eficácia do DIU de progesterona é comparável à de um grupo de remédios conhecidos como análogos de GnRH. Usados há cerca de dez anos, esses medicamentos são administrados uma vez por mês, por meio de injeções. Eles atuam no cérebro, onde interrompem a produção das substâncias responsáveis pelo controle da quantidade de estrógeno nos ovários. "Os análogos de GnRH podem ser usados por apenas nove meses", diz o ginecologista Rui Ferriani, professor da Universidade de São Paulo e um dos autores da pesquisa publicada na Human Reproduction. "Se o tratamento ultrapassar esse período, os riscos se tornarão maiores do que os benefícios." O consumo excessivo desses medicamentos pode levar a uma menopausa química. A paciente fica sujeita a ondas de calor, osteoporose, ressecamento vaginal, falta de libido e esterilidade. Com o DIU de progesterona, esses riscos praticamente desaparecem. A progesterona é outro hormônio sexual feminino e tem o poder de inibir a ação do estrógeno. Sob a forma de comprimidos e injeções, ela é usada no tratamento da endometriose há cerca de cinco anos. Mas, como com o DIU a liberação do hormônio ocorre diretamente no útero, a dose do medicamento é bem menor, o que reduz significativamente os efeitos colaterais. Usado há três anos como método contraceptivo, o DIU de progesterona é uma evolução dos dispositivos de cobre, empregados em larga escala a partir da década de 70.

Outra opção de tratamento são os anticoncepcionais combinados – que misturam progesterona e estrógeno. Eles regularizam ou interrompem os ciclos menstruais, mas não são tão potentes para impedir a migração de pedaços do endométrio. "Esses remédios costumam ser utilizados em casos mais leves da doença ou em pacientes muito jovens", diz o ginecologista César Eduardo Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira do Climatério. Para os quadros mais graves, a única solução é a cirurgia para a remoção do tecido que cresceu fora do útero. Como o diagnóstico da endometriose tende a ser feito tardiamente, a operação é mais comum do que deveria. No Brasil, onde apenas 20% das vítimas sabem que sofrem do problema, a descoberta é feita geralmente oito anos depois do início da doença. Quanto mais tarde o diagnóstico, mais difícil é o tratamento e maiores os riscos de seqüelas.



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